Cultura Analítica na Prática: um ping-pong com Júlio Baldasso

Recentemente, o time da Nortus Investimentos recebeu Julio Baldasso, especialista em Cultura Analítica, para uma palestra interna focada em dados, comportamento e tomada de decisão. A seguir, reunimos os principais insights do encontro em um formato de ping-pong, direto e reflexivo, para compartilhar aprendizados que vão além da tecnologia e tocam o coração da estratégia organizacional.

 

1. Para começarmos: como você define Cultura Analítica em poucas palavras?

Julio Baldasso: Cultura analítica é quando existe um modus operandi compartilhado. Não é algo individual, mas organizacional: hábitos, rotinas e formas de decidir baseadas em dados que passam a acontecer quase de forma inconsciente. As pessoas usam dados para decidir sem que isso precise ser constantemente imposto ou lembrado — vira parte natural do dia a dia.

 

2. Por que esse tema se tornou tão estratégico para empresas do mercado financeiro?

Julio Baldasso: Na verdade, é estratégico para qualquer empresa que queira se manter competitiva. No mercado financeiro, isso fica ainda mais evidente porque lidamos o tempo todo com dados quantitativos. Seja para o assessor, para a liderança ou para o cliente final, entender números, taxas, benchmarks e relatórios é essencial. Além disso, como muitos dados são públicos, a comparação é inevitável — e quem analisa melhor, decide melhor.

 

3. Quando falamos em Cultura Analítica, do que definitivamente não estamos falando?

Julio Baldasso: Definitivamente não estamos falando apenas de tecnologia. A tecnologia é um meio, não o fim. Cultura analítica é, antes de tudo, comportamento humano: como interpretamos informações, como tomamos decisões e como damos direcionamentos. Ter gráficos bonitos ou bases de dados robustas não adianta se não houver entendimento, rotina e intenção analítica por trás.

 

4. Na prática, qual é o primeiro passo para construir uma Cultura Analítica sólida?

Julio Baldasso: O primeiro passo é tomar consciência da importância do tema e entender em que nível de maturidade a empresa está. A partir disso, vem o esforço real de transformação. Um segundo passo importante é avaliar as pessoas: como elas entendem dados hoje e quem pode ser agente dessa mudança. Mostrar valor rapidamente ajuda a engajar o restante da organização.

 

5. Qual o papel da liderança nesse processo?

Julio Baldasso: Central. A liderança direciona o futuro da organização, tanto pelas estratégias quanto pelo exemplo. Quando líderes pedem dados, questionam resultados e querem entender causas — positivas ou negativas — isso se espalha em cascata pela empresa. Não é só dar o empurrão inicial, mas acompanhar e reforçar que essa é uma responsabilidade coletiva.

 

6. Como equilibrar dados e intuição na tomada de decisão?

Julio Baldasso: Esse é um dos maiores desafios. A intuição não deve ser descartada, pois ela reflete experiências acumuladas ao longo do tempo. O problema é confiar apenas nela, pois isso pode gerar vieses. O ideal é criar testes, experimentos e questionamentos tanto para os dados quanto para a intuição, buscando um equilíbrio que faça sentido — não necessariamente 50/50, mas o equilíbrio adequado para cada contexto.

 

7. Quais erros são mais comuns ao tentar implantar uma Cultura Analítica?

Julio Baldasso: Alguns são clássicos:

  • Tratar a mudança apenas como tecnológica, ignorando comportamento e processos.
  • Achar que uma única equipe especializada resolve tudo.
  • Acreditar que a transformação acontece sozinha.

Cultura analítica exige esforço, investimento e tempo. No início é desconfortável, demanda energia e envolvimento de várias pessoas. Não é apertar um botão — é uma jornada contínua.

 

8. Que nível de maturidade analítica você percebeu no time da Nortus?

Julio Baldasso: Fiquei positivamente surpreso. Vi questionamentos maduros, percepção de conflitos naturais do negócio e esforços recentes para organizar dados pensando tanto no curto quanto no médio e longo prazo. O mais importante é que o time está alinhado, interessado e aberto à evolução. Isso é fundamental.

 

 

 

9. Como uma Cultura Analítica impacta a experiência do cliente-investidor?

Julio Baldasso: O impacto é grande. Desde uma recomendação de produtos mais personalizada até uma comunicação mais alinhada ao perfil do cliente. Relatórios tendem a ser mais claros, objetivos e relevantes, fortalecendo o vínculo entre assessor e investidor. Além disso, dados ajudam a demonstrar a saúde dos investimentos ao longo do tempo e podem viabilizar automações que direcionam o assessor ao cliente certo, no momento certo.

 

10. Para finalizar: qual mensagem você deixa para empresas que estão começando essa jornada?

Julio Baldasso: Calma. Respira. Entende qual é a dor atual do negócio. Veja como os dados que você já tem podem ajudar a endereçar esse problema. Se ainda não há dados, pense em como coletá-los. Comece por uma dor real, visível, e trabalhe soluções de curto e médio prazo. Cultura analítica é um processo longo, mas extremamente transformador quando feito com consciência.

 

A Cultura Analítica não é sobre ferramentas, mas sobre mentalidade. Na Nortus Investimentos, seguimos avançando nessa jornada com o compromisso de tomar decisões cada vez mais embasadas, estratégicas e alinhadas aos melhores interesses de nossos clientes.

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